Sou Judas Eucariotes
De Jesus o traidor
Este é meu testamento
Com o que tenho de valor
Pois tudo que aqui juntei
A vocês agora dou.
Para nosso amigo Neto
Rapaz de muito valor
Para ele deixo um pinico
Com cheirinho de cocô
E esta velha dentadura
Que herdei de meu avô
Para o colega Verinho
Um cara que se garante
Deixo uma velha botina
Com cadarço de barbante
Ainda um cachorro de gesso
Para ele por na estante
Para a amiga Marreca
Que de sua mãe foi querida
Deixarei como herança
A minha calça comprida
O meu chapéu de cow-boy
E a minha blusa florida
Minha velha bata branca
Que é de minha estimação
É pro padre Joanilson
Que também é de São João
Que é pra não sentir calor
Nestas tardes de verão
Para Galega de Chica
Deixo com muito amor
Sete chaves num chaveiro
Cada qual com seu valor
Uma delas abrirá
O coração de seu amor
Para o colega Yurim
Com prazer eu vou deixar
O meu pente e a brilhantina
Para ele se pentear
E uma camisa listrada
E rapé pra ele cheirar
Minha querida Joelma
Que é filha de fazendeiro
Deixarei como herança
Minha roupa de vaqueiro
O meu cavalo alazão
E o meu cachorro trigueiro
Para colega Potira
Que é minha preferida
Vou deixar com muito gosto
Meu remédio pra ferida
O meu livro de receitas
E uma moringa partida
Para colega Dione
Uma mulher verdadeira
Vou deixar meu manzuá
Um pilão e uma peneira
Uma capa pra sofá
E um pingüim de geladeira
Para a amiga Nena
Que eu quero muito bem
Vou deixar bem satisfeito
Uma gaiola e um quenquém
E meu carimbo sem tinta
Pra não por falta em ninguém
Para o colega Lobão
Um cara mui-divertido
Eu deixo uma velha cueca
Da cor de burro-fugido
O meu coador de café
E um velho xale florido
O meu amigo Babalu
Não poderia esquecer
Por isso deixo pra ele
A máquina de escrever
Dois pebas de estimação
E uma blusa de crochê
Já para bela Solange
Mulher de grande presteza
Deixo meus óculos Ray-ban
E o meu par de japonesa
E uma peruca Chanel
Para realçar sua beleza
Pra minha amiga Mazé
Deixo algo muito especial
Minhas calças de veludo
Uma espingarda e um bornal
Minhas botas sete léguas
E o meu perfume floral
Para minha amiga Burinha
Chefe de secretaria
Deixo meu rosário bento
E uma imagem de Maria
Para ela rezar por mim
Toda noite, todo dia.
Para a amiga Valdenia
Que é um cara muito legal
Deixo meu computador
Com Internet e firewall
Meu número no ICQ
Minha paquera virtual
Pra minha colega Nucleide
Pois não posso esquecer dela
Deixarei meu cinturão
De couro, mas sem fivela.
Minha tevê preto-e-braco
Para ela assistir novela
Para a Rainha Confresa
Que gosta de muita ação
Deixarei os trinta dinheiros
Que ganhei com a traição
Que será pra ela apostar
Já na próxima eleição
Para o colega Fernando
Que é quem manda no pedaço
Deixo para ele um jucá
E um par de cavalo de aço
E a uma velha carabina
Que foi usada no cangaço
Para meu colega Chinha
Que é inconseqüente e boçal
Deixo meu violão sem corda
E meu velho berimbau
Que é para ele completar
O seu grupo musical
Para a prefeita da cidade
Que ta com o cabelo pintado
Mudaram as suas penas
Pra bunina esfarinhado
Não saia na chuva não
Pra não ficar desbotado
Cor de arara quando foge
É igual a Walter Mercado
No momento eu me despeço
Pois é chegada minha hora
De tudo que fiz de errado
Eu me arrependo agora
E os meus lenços eu ofereço
Pra aquele que por mim chora.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
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