domingo, 1 de junho de 2008

Já Pensô!


Ipueira dos anos 80 se faz presente.
Ipueira parecia um desses lugares que querem crescer.
O silêncio, reinando em todos os instantes..
Carros? quase nenhum na rua.
As brincadeiras nos Oitão, o Grupo Velho,
Dona Bibi, a professora inesquecível.
Dra Núbia, a médica que hipnotizava com seus porres dionísios;
D. Luzia e Madim'Ana eram as médicas da família.
Atendiam e não cobravam... remédios infalívies: a fé.
Lembro-me com saudades dos anos 80.
O fim do “Grupo Véi”,
O advento do Grupo Novo
As disputas constantes pelas manobras radicais do Dicionário Seridoense
Péu, um negro que até hoje me vem na lembrança.
Pois seus porres foram edílicos... Líricos
Os banhos no Açude Velho...
Aos domingos... a valentia de Seu Moreira
Contra os imprecisos.
Vila sem cabaré.
O velho Cavalo Marinho.
O foguetório... Chhhic Buuum nos festejos da Perpétua Socorro!
E os bruguelo com seus medo enfiados nas saias balão.
“Viva Zé Pereira, Viva Juvenal...”
Papangu...HUUUUUUUUUU...Bolão de angu!
Nas tardes mornas,
O que mais gostava
era espiar as peladas e as jogadas do nego, O Lau.
quem não o lembra?
desfez-se num sonho de craque.
Nas noites dos anos 80, histórias do Nego Saco...
Atordoava os pivetes.
Ele foi visto na oiticica, dizia alguns.
Outros cantavam a Serra do Cavalo.
E suas Meninas...
Perdidas!
Dormia com medo de Deus.
Pregava-se que havia um Deus que punia,
hoje sei que Deus está na flor.

Lamúrias


Acordei,
e ao despertar da cama
ouvia-se o lamento de certas mulheres lamuriando.
Gente subia.
A lamúria se repetia.
Ouvia-se uma leve procissão.
Gente descia.
Às horas tardias.
“Será mês de Maria.
Ou até uma festa não seria?”
“Vinde pai e vinde mãe...”
Subitamente acordei.
Era ele! Era Ele!
Gente voltava.
Sorrisos nos rostos de quem iria para a redenção.
Ao entardecer gente subia, gente descia.
Era o sermão.
Aqui se tinha certeza, de que, neste torrão também se produzia.
FÉ.
E agora Fernando?
Quem não lembra das missões?
Mesmo com o passar do tempo, ou mesmo, com tuas ruínas
tuas lembranças jamais serão esquecidas.
Fala Damião!
Adeus Missão.

Paisagem Seridoense


Lata-velha!
Sertões com Zebras e Leões.
Catabi!
Seria África?
Hum!!!
Só jeitos de ver o mundo.
Só ares...
Peso do Coronel,
sem Lampião,
vendo no escuro.
Piaba frita na chapa craniana,
Tróia e Esparta na caixa torácica!
Decifrava mundos...
Fazia a ponte cidades/mato.
Segredos?
Traduzidos na fonte,
buscava as novidades.
Conhecia a língua das plantas,
sabia dos frutos a realidade.
Suco de matutos -, farto seu lagares...
Eletricidade para a cidade prenhe!
Barriguda...
Ipueira fecunda,
À espera do Baile.
*"No céu,
uma ARRIBAÇÃO com o bico escreve,
o que as asas apagam"
*adaptado de verso caipira, que acredito seja de domínio público.